domingo, 3 de janeiro de 2010

She's lost control again.



Retratos da Hiperatividade
Eu olhei no relógio e puta merda, é 2010.
Essa década de 00 (década de zero, tipo década de quarenta ou setenta) foi a primeira em que eu foi gente o suficiente para me lembrar e lá se foi ela, isso significa que eu envelheci. Isso também significa que a tecnologia evoluiu e que as tendências musicais, cinematográficas de arquitetura e de vestuário mudaram. Not a big deal.

Mas o que significa de verdade estar numa nova década?
Engraçado que pelo que nós vemos nas mídias, existe isso isso e aquilo dos anos 30, sei lá o que nos anos 40 e aquilo outro nos anos 50; e agora que passamos dos anos oo pros anos 10 parece que nada mudou de verdade. São nomes e títulos que nós precisamos dar no futuro para separar coisas que não eram separadas de verdade.
Outra coisa que sempre me é dúvida: Será que na fase do Modernismo os modernistas se auto-entitulavam modernistas?
Ou melhor, o que somos agora?
Minha amiga Laís Franco disse outro dia que somos modernistas porque dizemos o que nós queremos, sem métrica, sem tema, sem linearidade. Mas me pergunto, como eu, Clarice Lispector e Carlos Drummond de Andrade somos modernistas?
Não há jeito sensato de que isso seja verdade. Primeiro porque eu sou uma merda, segundo que a Clarice (explosão) Lispector é alguém que brinca com a linguagem pra ver até onde ela te influencia; e o Drummond, é um grande visionário da literatura que só e simplesmente tentava entender o que se passava com o mundo na própria mente dele.

Concluo: Primeira coisa, Clarice Lispector e Drummond sao dois exemplos obvios pra minha indignação pela literatura, porque existe o modernismo? Foda-se se o que eles dizem é bonito ou não, eu tamb´pem sei sentir e mesmo que não expresse "tão bem quanto eles" que eu eu sinto, eles não são melhores por isso.
Segunda coisa: Porque eu tenho que ser modernista, assim como, porque nós temos que desempenhar papéis sociais que são ditados pela matrix enquanto eu nem posso fazer nada por nem ter ao menos nascido quando inventaram essa merda de sociedade???

Agora na nova década os títulos vão continuar, só que com novidades.
Um troço que me deixa confusa e ao mesmo tempo me irrita é essa moda. Esse ano foi o ano das sandálias de plástico [imitação de melissa], o genial é que era MODA usar uma IMITAÇÃO. A parte irritante era que todas as mulheres usavam, e as partes confusas são: porque todo mundo resolveu andar que nem umas vacas hindus todas igualzinhas e comé que alguém no mundo acha aquilo bonito?
Outra coisa que me irrita são as camisas femininas. Durante uma novela há anos atrás surgiu uma bata (blusa solta), que eu nunca tinha visto ou ouvido falar. Aí depois essa bata foi evoluindo e bata hoje é uma blusona toda soltona; ok, daí começaram a aparecer blusas estranhas, assimétricas e feias que eu nunca tinha visto antes! EU SOU DO TEMPO DA T-SHIRT e agora, poucos meses atrás, descobri que regata virou ribana e regata agora é camisa sem manga.


Em 1999 eu tinha um walk-man, e em 2005 um mp3 de 256MB, hoje eu tenho um celular que toca musica e tira fotos, um notebook, um mp4 e 4 pen drives (eu estudei informática, me perdoem por isso) . E sabe o que aconteceu? Fui passar o feriado de ano novo num sítio com a família. Celular nem internet funcionam, só pude ouvir uma música e assistir uns filmes no notebook e, adivinhem só, não me fez falta.
Metade dos meus amigos nunca subiram em árvore ou comeram jabuticaba na infância. Eu sou cosmopolita, não me entendo, odeio capitalismo, amo Burger King, Av. Rio Branco, e todas essas blusas horrorosas que eu reclamei no parágrafo acima. Eu sou uma hipócrita que reclama do sistema, mas abaixa a cabeça e digo "sim, senhor" - eu concordo que o blog tá bastante sensacionalista - mas eu na verdade busco o auto-conhecimento acima de tudo e cada vez mais fico confusa. E a merda é que um psicólogo não vai entender merda nenhuma da minha confusão.
Eu sobrevivo ao fim do mundo, tenho certeza disso. Eu sinceramente não acredito que presenciarei o fim do mundo, mas caso isso aconteça eu serei uma das pessoas que fugirão com sucesso pra floresta e conseguirão sobreviver.
Porque na crise do auto-conhecimento eu percebo que no fim, eu sou uma cosmopolita que morreria de tédio na praia paradisíaca mais bonita do mundo sendo que eu sou capaz de sobreviver, é uma qualidade que eu tenho. Ainda mais no fim do mundo, eu sou cosmopolita por isso, eu quero AÇÃO. No campo eu não tenho ação - tampouco na praia paradisíaca, no fim do mundo eu TENHO ação.

Eu sei que esse post não faz o menor sentido pra nenhuma das pessoas que for lê-lo, mas é assim, mais ou menos, que funciona a cabeça de uma pessoa hiperativa. Se algum médico de cabeça tiver a oportunidade de ver essa merda, parabéns, te dei uma material de pesquisa grátis. Enjoy.

Joy division é foda.