" - Eu posso passar por baixo? - disse para o cobrador, apontando para a roleta com um movimento de cabeça.
- Não, sinto muito.
- Mas ô tio, tem um outro cara aiq ue sempre deixa meus amigos passarem por baixo. Olhei para a janela, o ônibus tinha começado a se mover e já tinha andado quase uma quadrea desde o poonto onde o peguei.
- Não dá, guri! Eu não vou arriscar meu emprego porque um piá que nem tu não quer trabalhar pra conseguir ganhar um dinheiro pra pagar a passagem! - o cobrador gritou [um rápido olhar pela janela, hmm, duas quadras andadas] puxando a cordinha para o ônibus parar na próxima parada, simbolizando que eu teria que descer à força.
- Aha, que merda mesmo - falei, saindo do ônibus que guinchava no meu grotesco freio e forçando uma expressão triste que simplesmente não estava lá. Olhei a rua. Hmm, ainda na Avenida protássio, mas pelo menos uma parada mais adiante. o próximo ônibus vai demorar pouco e mais sete dessas eu chego lá."
[Antônio Xerxenesky]
domingo, 20 de abril de 2008
Autopsicografia
"O poeta é um fingidor
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
Ardor que deveras sente
E os que leêm o que escreve,
na dor lida sente bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.
E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração."
[Fernando Pessoa]
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
Ardor que deveras sente
E os que leêm o que escreve,
na dor lida sente bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.
E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração."
[Fernando Pessoa]
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"Vamos perguntar de novo.
precisamos de cidades?
Vamos perguntar outra vez.
Precisamos de governos?
Vamos perguntar repitindo.
Precisamos do que fizemos?
Primeiro, em sussurros.
Depois, aos BERROS."
[Ulisses Tavares]
precisamos de cidades?
Vamos perguntar outra vez.
Precisamos de governos?
Vamos perguntar repitindo.
Precisamos do que fizemos?
Primeiro, em sussurros.
Depois, aos BERROS."
[Ulisses Tavares]
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Razão de Ser
"Escrevo e pronto.
Escrevo porque preciso,
Preciso porque estou tonto.
Ninguém tem nada com isso.
Escrevo porque amanhece,
E as estrelas lá no céu
Lembram letras no papel,
Quando o poema me anoitece.
A aranha tece teias.
O peixe beija e morde o que vê.
Eu escrevo apenas.
Tem que ter por quê?"
[Paulo Leminski]
Escrevo porque preciso,
Preciso porque estou tonto.
Ninguém tem nada com isso.
Escrevo porque amanhece,
E as estrelas lá no céu
Lembram letras no papel,
Quando o poema me anoitece.
A aranha tece teias.
O peixe beija e morde o que vê.
Eu escrevo apenas.
Tem que ter por quê?"
[Paulo Leminski]
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