sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Achatina fulica

                                                                                      situe-se melhor na cena do ataque.

Dia desses - que na verdade não foi dia desses, foi há uns 6, 7 ,8, 10 meses atrás, não sei bem - saia eu, se mal me lembro, desanimada rumo à escola quando surpreendentemente vejo um nojontíssimo caramujo sem-vergonha no bueiro na porta da singela vila onde resido. Quando me dei conta de que tinha um caramujo bem a frente dos meus pés numa manhã ensolarada a 10 metros da minha casa, eu quis surtar - não nego -  mas consegui me controlar e pensei em, quando chegasse em casa de noite, diria ao meus pais, pra comunicar a síndica ou pra que tomassemos uma atitude para nos livrarnos dos caramujos-horrorosos-africanos antes que todos os moradores e visitantes morressem de uma tal meningite ou peritonite [seja lá o que for].
Nesse bela fração de segundo em que eu, imóvel, pensei em tudo isso dito acima, brotou dos paralelepípedos um cara; esse cara me pareceu um morador daqui, mas jamais me lembraria do rosto do indivíduo. Ao surgir, esse cara fez com que eu não estivesse ali, procurou um jornal velho na lixeira obtendo sucesso e com o mesmo segurou o pequeno molusco e lanço-o  no terreno baldio localizado em frente às nossas casas. Um verdadeiro Gênio.

Agora, em dezembro, se me lembro bem, alguns dias antes do Natal, notei que todos os dias ao abrir minha janela do quarto, eu via alguns pontos escuros na parede amarelo-gema da Retífica de Cabeçotes [?] ao lado do já declarado terreno baldio. Claro que já tinha comentado sobre o acontecido em casa, e certamente ao ver aqueles pontos no amarelo - que ingenuamente diagnostiquei como cocô-de-cavalo-no-segundo-andar [sim, era animalmente impossivel que um boi cagasse naquela altura] - eu chamei meu pai para que outros olhos vissem o que eu há dias via. Depois de dias, semanas, meses de especulação solitária, quando eu resolvo finalmente dividir com outro alguém aquilo que me incomodava, eu ouço a seguinte frase:

-"Ih, acho que isso é caramujo."

COMO ASSIM CARAMUJO?

Pois é, ele tinha razão. Os pequenos nojentos moluscos têm habitado o mesmo CEP que eu.
O mais impressioannte dessa situação real até agora é que NINGUÉM tomou uma atitude, a síndica disse que ligou pro Disque-ratos [ratos?] e eles declararam que o terreno é particular, ou seja, não podem fazer nada. Ninguém nunca pode, nem eu.

A única coisa proveitosa disso tudo foi a descoberta de alguns costumes caramujeiros, por exemplo, você sabia que eles não gostam de passear em dia de sol? E que são hermafroditas e um caramujo adulto poe 400 ovinhos por ano? 
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Música da semana: You're gonna go far, kid - Offspring
Filme do dia: Calígula.

Um comentário:

Lis disse...

informações importantes pra você:

1 - peritonite é inflamação do peritônio, que é meio que uma pelezinha que envolve e separa os órgãos. como o peritônio tá no corpo quase todo, quando ele inflama é quase certo ter uma infecção generalizada. cuide bem do seu segundo furo, se ele inflamar e cair pus na sua corrente sangüínea você pode ter isso. :]

2 - a doença que o caramujo africano dá ataca o sistema nervoso. e temos, a esse respeito, um dado estatístico importantíssimo. sabe quantos casos dessa doença nós já tivemos no Brasil? ZERO. nenhum caso. portanto, para de frescura e vive a sua vida em paz.

atenciosamente,
Lis. :]